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segunda-feira, 19 de outubro de 2020

MINICONTO: BOA VIAGEM - THIAGO LUCARINI



            Mariana pegou a mão de Evandro mesmo com toda agitação. O avião despencava em meio à tempestade que cobria Goiânia. Do lado de fora em plena queda, Mariana viu duas naves após um clarão. De repente, o avião parou suspenso no ar, todos os passageiros se olharam, interrompendo suas preces. A lataria do avião começou a ondular e pela distorção, passaram seres extraterrestres. Evandro apertou ainda mais a mão da namorada. As criaturas tinham a aparência de águas-vivas com pernas, tentáculos experimentavam o ambiente. Elas exalavam um cheiro adocicado, desconcertante. Ninguém se mexeu, mas o pânico era nítido. Os aliens passaram pelos bancos, selecionando pessoas. Um deles cutucou o casal, indicando que se levantassem, obedeceram. Os escolhidos atravessaram o portal no metal, assim que o fizeram, viram-se dentro de um ambiente alienígena. Mariana e Evandro só não sabiam se serem abduzidos seria uma bênção ou uma punição.

quarta-feira, 14 de outubro de 2020

MINICONTO: PARANOIA - THIAGO LUCARINI


 

Júlia encarou-se no espelho, apalpando a barriga como tantas outras vezes.

— Amor, não há nada dentro de você.

Independente do que Agenor dissesse ou os médicos e seus exames falhos, Júlia sabia que tinha algo dentro dela, crescendo, expandindo-se. Não era um bebê. Era algo mais, inexplicável, fora da realidade.

Tateou sua carne morna um pouco mais.

Agenor a observava, descrente.

— Eu não estou louca — retrucou.

Já à mesa, Júlia tomava seu café em silêncio, Agenor mexia no celular. De repente, ela sentiu aquela coisa andar por baixo da sua pele. Sem pensar, pegou uma faca de serra que havia deixado próxima.

— Te peguei, desgraçado. — Berrou Júlia, enfiando a faca na própria barriga.

Agenor correu para socorrê-la e em meio ao sangue, ele viu parte de algo não humano que Júlia acertou.