Minha filha tinha um sério problema de não
querer comer nada. Compramos um estimulante de apetite de uma senhora na rua e
agora ela está comendo o nosso cachorro.
Minha filha tinha um sério problema de não
querer comer nada. Compramos um estimulante de apetite de uma senhora na rua e
agora ela está comendo o nosso cachorro.
Meus
dias começam
Como
se fossem uma carta de despedida
Onde
a única linha escrita
Diante
dos meus olhos
É
o horizonte em branco
Que
revela todo o vazio
Daquilo
que não está mais ao alcance.
Dizem que era o seu primeiro dia no frigorífico,
os outros funcionários não deram muita atenção a ele, quando na linha de
higienização de carcaças de gado num momento de distração do novato, um gancho
livre e afiado fincou em sua cabeça. O sangue jorrou. Teve morte instantânea.
Toda a produção foi paralisada enquanto o IML não chegava, o corpo do novato
ficou pendurado apenas como mais um pedaço de carne. Hoje não é raro alguém ver
seu espectro passando pela linha de produção, pendurado num gancho,
ensanguentado, a fitar o vazio.
Falo
das coisas como se não houve futuro
Minha
visão do tempo é sempre passada.
Eu
sei que a chuva de ontem não me molha,
Que
o sol de antes já não me aquece,
Mas
não consigo deixar de me perder
Na
correnteza contrária,
Pois
tenho a miséria de acreditar
Que
respirava quando afogava.
As
horas mentem sobre aquilo que sinto,
Os
ponteiros pensam que determinam
Cada
batimento cada pensamento.
Determinado
pelas horas
Cada
uma é uma corda posta
No
meu pescoço.
O
tempo me consome,
Mas
não sabe nada
Nada
do que sinto.
Minhas
estrelas morreram
Quando
deixaram de crer
Na
força do próprio brilho.
A
partir daí não havia luz
Que
rompesse a escuridão
Que
impuseram a si mesmas.
Há
feridas que doem
Mesmo
depois de muito tempo,
A
cicatriz é um fantasma
Que
lateja sua agonia.
A
cura total é uma bênção,
Mas
aquilo que morre
E
não se vai completamente
É
uma parte do inferno na Terra.