domingo, 27 de janeiro de 2019

POESIA - CASA ASSOMBRADA - THIAGO LUCARINI

Nesta casa assombrada
Grito com os meus fantasmas.
Cansei dos sustos escondidos
Nos cantos tristes da minha vida.
Assepsia, eu retiro as teias de aranha,
E todo o cinza coalhado da alvenaria.
Removo os escombros dos olhos
É tempo de expor o medonho à luz
E dar às minhas assombrações
A clareza que me negaram.

sábado, 12 de janeiro de 2019

POESIA - TROMBA D'ÁGUA - THIAGO LUCARINI

quando as nuvens brigam
há conhecida tempestade.
eu quando brigo
há silêncio, pois
abrigo no invisível de mim
meus raios e trovões,
e assim, aos poucos
vou escurecendo
sem mudança de tempo.
uma vez que ainda não aprendi
a chover sem me desfazer.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2019

POESIA - A ESPERANCA DOS CRUÉIS, O FARDO DOS GENTIS - THIAGO LUCARINI

 
A pedra 
Ao ferir a flor
Impregna um pouco 
De perfume e pólen em si.
Sem intencionalidade de igualdade
E mesmo que cruelmente
Acabou manchada de flor.
E por confusão aonde for
Não será mais pedra pura, mas
Flor também.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2019

POESIA - INQUISIÇÃO - THIAGO LUCARINI

Elas queimam
Em fogueiras.
Já não são mais bruxas
São apenas mulheres,
Só mulheres
(o que é muito)
Despidas de si, de encantos
Nas mãos de velhos demônios.
Queimam.

POESIA - ROUPA - THIAGO LUCARINI

 
A peça de roupa abandonada
Aos farrapos não conta a história
De quem a usou e dispensou
Ao final da decorativa estação.
Deveria o coração aprender
A fazer o mesmo com a solidão.


quarta-feira, 19 de dezembro de 2018

POESIA - SUSPENSÃO BASAL - THIAGO LUCARINI

Olhe para o céu
E diga-me onde estão
Teus passos rumos às estrelas?
Que pedaço de Paraíso
Reflete a Lua do teu Éden esquecido? 
Que baça nuvem ofuscou
O sorriso do teu Sol?
Que promessa de amor espera
Teu coração vencido?
Uma vez coagulado os sonhos
Vive-se apenas pelo basal,
É suspensão.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2018

POESIA - AQUILO QUE NÃO FOI DITO - THIAGO LUCARINI

Hoje eu posso dizer:
“Queria que tudo tivesse
Terminado melhor entre nós.
Que restasse algum brilho
Resquício de amizade
Só sobrou o poder do vazio. 
De poemas velhos e esquecidos
Desmancho-me, me componho.
A tinta é o tecido da minha palavra,
A intenção, seu sangue, e o adeus,
Paredes de um coração desistente.”