segunda-feira, 27 de março de 2017

POESIA - O AMOR ME INTIMOU - THIAGO LUCARINI



O amor me intimou a dançar.
O palco, minha alma gasta.

Mandou eu levantar minha bunda gorda,
Sacudir a poeira e a tristeza de toda uma vida.

Era preciso limpar-me para a alegria que viria.
Quando, enfim, pronto. Segurei suas cálidas mãos

E juntos, pela primeira vez, dançamos em conformidade,
Esquecidos de imediato das eras de disparidade mútua.

Rompeu de mim uma cascata de águas férteis.
Nosso palco inundou, mas sem risco algum.

Coisas belas começaram a florescer e enfeitar
O vazio de antes. Primavera veio pela nossa valsa.

Juntos nós continuamos de pé, sem perder o fôlego.
Só deixaremos a dança parar quando meus ossos deitarem.

POESIA - ABSOLUTO - THIAGO LUCARINI



Existe dentro de mim
Uma força maravilhosa,

Uma atração de glória caprichosa
Com a propulsão de um foguete

Capaz de mover universos
E fazer as estrelas tremerem

Ante tal enigmático e magnífico
Sentir absoluto e puro. Meu coração

Entra em parafuso, dá pulos,
Rodopios de júbilo, bailarino

Das canções mais perfeitas.
Valsa soberano sobre as ondas

De tocante amor, move eternidades
A cada singelo pulsar, cria mares

De suspensão líquida para cada
Sorriso com que me coroa em graça.

POESIA - QUASE - THIAGO LUCARINI



Tantas idas e vindas
Mas nada significante

Sempre preso ao quase.
Quase vivi, quase morri,

Quase amei, quase senti,
Quase poesia fui, mas me abortei

Tão somente este ato foi completo.
Talvez, pela negação perpétua

Da minha alma de aceitar um lar,
De ter ou reconhecer pertencimento.

Quase sonhei, quase chorei,
Quase a Deus presenciei,

Todavia, quase acreditei mudar,
E, sempre quase, quase fui eu.

segunda-feira, 20 de março de 2017

POESIA - A QUEDA DO DIABO - THIAGO LUCARINI




A essência do seu altar
Foi orgulho e vaidade,

Depositou sua fé fora Paraíso,
No reflexo criado de si mesmo.

Anjo de mentiras e imoralidade
Arrastou outros celestes para a lama.

O inferno iniciou-se na chama
Do seu olhar pervertido de crer ser maior

Pelo simples extrato vago da beleza singular.
No colapso da santidade emerge a insanidade.

Os Céus se rasgam em choro e sangue
Caem anjos desfeitos de asas, chuva cruel.

A queda quebra os ossos da aliança
E o diabo segue a pé e pedante, ferindo.

Sibilam os sinos o som ofídico, apontando
A calamidade sem luz que caminha entre nós.