sexta-feira, 17 de junho de 2016

POESIA - DESVENTURA DOS SERES NÃO ALADOS - THIAGO LUCARINI

Beija-flor arco-íris jamais se entregue a escuridão (perdendo suas cores)
Canário do assobio dourado jamais entregue seu canto ao pranto
(lágrimas só têm melodia triste)
Corvo preto largue o perpétuo luto (sorria mesmo ao preço de negras penas)
Passarinhos jamais queiram a desventura dos homens de terem que se virar sobre
                                                                                                   [pés calejados.
Voem, voem.
Voem, voem passarinhos.

POESIA - JUÍZO DE VALOR - THIAGO LUCARINI

Meu coração errou.
Atribuiu a você
Um juízo de valor
Aquém de ser merecedor.

Como consequência
Recebi em penitência
Um caminho de pura dor,
Fui raso como avaliador.

O amor tem destas coisas
Por sal lúdico em pessoas insossas.
Na balança depositei mais peso do que devia,
Porém foi-se embora desvelada do valor que detinha.

POESIA - HIC ET NUNC - THIAGO LUCARINI

Naquelas circunstâncias
Fiei-me no fado errado
Agora, circunstanciado
Estou à mercê dos fatos.

Devido às circunstâncias
Não abrirei barganha
Nem tenho preponderância
Para tal magnânima façanha.

Sou fruto das circunstâncias sem fim
Do destino zombeteiro e ateu de mim.
A sorte me dada pelos deuses é castigo
Vou-me ao mitreu encerrar este desatino.

POESIA - DESVIO DE ROTA - THIAGO LUCARINI

Aquele que foge
Do itinerário da vida
Acaba percorrendo inutilmente
Os escombros das sombras
Alimentando-se de migalhas
Da parca subsistência
Na noite de eterno negrume
Sem lua sem estrelas sem luz.
Aquele que foge
Do itinerário da vida
Encontra, mais cedo,
O seu ponto final
No céu sem sol
De uma cova do cemitério.

POESIA - ALMA ABANDONADA - THIAGO LUCARINI

Na penteadeira
A rosa murchou
O espelho envelheceu
Deu rugas do tempo
No chão os lençóis
Formam um rio macio
De águas imóveis
Que embalam esse
Meu corpo sem cio.
A janela do quarto
Fechada não tem
Qualquer horizonte,
Pois projeta o fundo
Desta alma abandonada
Indo rumo à barca de Caronte.

POESIA - PASSADO FELIZ - THIAGO LUCARINI

Eu era feliz
Até você ir
E me deixar
Sozinho e choroso
Para enfrentar
Meus fantasmas
Cultivados na solidão
Do nosso quarto vazio.
Agora sem chão
Só tenho o medo
Como companheiro.
Medo de que a felicidade
Jamais se repita
No futuro distante.

POESIA - CLAREZA - THIAGO LUCARINI

Que eu alcance
A clareza do orvalho
Nas folhas pela manhã.

Uma vez que, o orvalho
É sumo extraído da densa noite,
Extrato sutil do puro breu.

Quero clareza de ideais
De conduta, do eu intrínseco,
Anseio sonhos místicos e límpidos.

Quero a transparência febril da inocência
E abandonar de vez essa brenha crua,
Turva e fadada ao escurecimento sólido.