segunda-feira, 19 de outubro de 2015

POESIA - DEVOTO DAS FLORES - THIAGO LUCARINI

FOTO: Thiago Lucarini

Serei um eterno devoto das cálidas flores
Serenas, de perfeito e íntegro acabamento.
Quando digo flores também digo mulheres
Afinal, em singularidade são entidade única.

Estas flores-mulheres roubam-me por completo
No beijo sob o luar da meia-noite
Nos entardeceres crepusculares dos lençóis
No orvalho límpido das alvas radiantes.

O perfume feito da embriaguez
Consome o pássaro e(u)rrante
Ao exalar o cio vernal e cíclico
A bênção feminil concedida ao devoto.

Hosanas as flores sem corte e acidez
Fabricantes da descendência de pontes
Mãe dos frutos, flor-leoa, guerreira
Firmando raízes contra qualquer contenda.

A suprema criatura criada
Devoto à essência desta frágil alma
Flores-mulheres sem litígio
Em ofício perene de amor pertenço

Primeiramente a vossa doce existência

POESIA - MACIEIRA REIVINDICANTE - THIAGO LUCARINI

FOTO: Thiago Lucarini

A macieira negou
Versos as rosas
Versos aos amantes
Versos ao tempo
Versos a morte.

A macieira reivindicante
Negou toda lírica a outrem
Ansiando os louros e gozos
Inspirativos só para si.

A macieira alegou ser
Dona da florescência mais bela
E do fruto de maior destaque
Em estórias, mas não na poesia.

A macieira depois do embate
Conquistou o que desejou.
Ganhou visibilidade e poética
Para suas maçãs verdes e vermelhas.
Despertando a inveja da figueira

Mas isso é outra prosa.

POESIA - INUMANO - THIAGO LUCARINI

FOTO: Thiago Lucarini

Sem definição
Sem reação
Sentimental.
Nada sinto
Nada toca
A densa
Carapaça.
Pouco importa
Os meios
Dos fins.
Os eixos
Da dor
Da alegria
O viver
Do morrer.
Impessoal
Indiferente
Inumano.
Um templo
Oco e vago
Perfeito
Sem ação
De uso

Alheio 

TAUTOGRAMA - MU´TAVEL NOITE DO NADA - THIAGO LUCARINI

FOTO: Thiago Lucarini

Nômade nossa natureza.

Navio navegante no nada
Ninguém nunca negou
Naquela Nação narcisista
Niilismo nítido neural
Nu natimorto. Noutro
Naipe necessário no nascer
Não natural nulo, narrativa
Naval naufragada novamente
No nada noturno: narcolepsia.

Nômade nossa natureza.

Nutriente nalgum norte
Nascente nata numerosa
Nunca neutra; nativa necessária.
Navalha nívea nas novecentas
Noites neste novilúnio nefasto
Numa narcose nêmese neófita.
Nirvana núcleo neoplásico
Nuance nuvem nutriz
Notável na noite normativa.


Nômade nossa natureza. 

TAUTOGRAMA - CÁRIE - THIAGO LUCARINI

FOTO: Thiago Lucarini

Dentes dolentes dado destino
Derradeiro durante decisiva dissidência.
Dentina desestabilizada de dúbia duração
Drena drasticamente dramas de desafios.
Dentes dolentes destroem democracia

Distopia dolorosamente duradoura.

sexta-feira, 16 de outubro de 2015

POESIA - ATIVO POÉTICO - THIAGO LUCARINI

FOTO: Thiago Lucarini

Dentre os inúmeros efeitos, ou impressões a que são suscetíveis o coração, a inteligência ou, mais geralmente, a alma, qual irei eu, na ocasião atual, escolher?
Edgard Allan Poe

O poema assim como um medicamento
Tem um princípio ativo-agente
Adicionado pelo sentimento
Impresso no poema pelo Tom
Escolhido pelo poeta.
Creio eu que um poema
Jamais será placebo, passar
Indiferente sem despertar
Ou atuar de alguma forma
Em quem o leu e apreciou.
Obviamente haverá diversos
Tons adotados indo
Desde o rico amor sempiterno
A tristeza de morte e niilismos,
Porém, cada qual, com sua
Singularidade e beleza.
Enquanto leitor nós não estamos
Livres dos efeitos colaterais
Reagentes do poema
Com o intrínseco da alma.
Como poetas devemos pensar
No emprego de tais ativo-reagentes
Para que a Estética seja sempre aprimorada
E o acabamento medicamentoso poético

Seja sempre o mais regular e belo possível.

POESIA - PILAR DA NAÇÃO - THIAGO LUCARINI

Palavra por muito esquecida
Rasurada nos liames da vida.
Obscurecida pela cega desvalorização.
Forte, ainda creio, na Concretização
Empírica de pleno exercício da função.
Satisfazendo o roteiro pessoal de Ensino
Salve! O soldado sem Glória; chega de
Olvidar o ser estruturante de toda Nação
Reiniciemos o contexto, respeito: pois Professor
                           [é uma palavra grande demais

                      [é Pilar e não vilipendiosa escória.