quinta-feira, 28 de maio de 2015

POESIA - CEGUEIRA - THIAGO LUCARINI

Disse que eu vi a vida
(mas não vi)
Disse que eu vi as flores
(mas não vi)
Disse que vi o sol
(mas não vi)
Disse que vi a lua
(mas não vi)
Disse que vi Deus
(mas não vi)
Disse que vi o amor
(mas não vi)
Disse que vi pessoas
(mas não vi)
Disse que me vi
(mas este mais do que qualquer outro não vi).
Tive olhos sadios, mas completamente cegos
Nada do que vi, realmente vi.
Tive uma vida de cegueira absoluta por mais que enxergasse,
Somente a morte removeu o véu da minha ignorância rasa e profunda
Curou minha cegueira, hoje, de fato vejo, que nada vi.

POETRY - BLINDNESS - THIAGO LUCARINI

I said: i saw the life
(But i did not see)
I said: i saw the flowers
(But i did not see)
I said: i saw the sun
(But i did not see)
I said: i saw the moon
(But i did not see)
I said: i saw God
(But i did not see)
I said: i saw the love
(But i did not see)
I said: i saw the peoples
(But i did not see)
(But i did not see).
Had healthy eyes but completely blind’s
Truly nothing i saw, nothing.
Had a life of absolute blindness
Only death removed the veil from my deep and shallow ignorance

And healed my blind soul.

POESIA - INCENSO DA MEMÓRIA - THIAGO LUCARINI


Hoje tua lembrança
Me veio como fumaça
Incenso da memória.
Vi nas paredes das pálpebras
Seu rosto líquido entre brumas
Sem lágrimas pousadas nos olhos
Mármore moldado no frio,
Inerme na morte.
Corpo dobrado na sepultura
Boca murcha como as rosas
De dolentes acúleos.
Foste tão jovem
Tão bela e gentil.
Mas teu sorriso se apagou
Levado numa noite comum
De incomuns alinhamentos.
Espero que no além
Tenha encontrado a paz,
Que lhe foste negada em vida.

POESIA - DEUS CONSCIENCIAL - THIAGO LUCARINI

O risco é um cisco
Nas paredes do destino
Imparcial vale para o mortal e imortal.
Destinos desatados da moral
Estou livre do condicionamento
Cru e cinza
Sobre as cinzas andarei
Novo deus consciencial.


POESIA - ONDE A MORTE PISOU - THIAGO LUCARINI


Verdades despovoadas
Inabitáveis sonhos verdes
Azedos e sem sumo.
Vermes brotam da terra
Onde a morte pisou.
As flores abortam o fruto
Pecaminoso que não mata a fome
Mas que acaba com a alma do homem
Longínquo dos passos de Santidade.
Caem auréolas, verdades, flores e homens
Palavra Sagrada ouro refém do enferrujamento.
Os sonhos só amadurecem
Na noite mais escura, sem asas

Na árvore de cada ser pensante.

quarta-feira, 27 de maio de 2015

POESIA - UTOPIA - THIAGO LUCARINI


Why does it rain, rain, rain
Down on Utopia?
(Canção: Utopia – Within Temptation [Feat. Chris Jones])


Vago atrás dos passos da solidão
Sou um castelo de ar, fantasma vagabundo
Farejando como um cão atrás da Soberana
Tenho sonhos de uma crueza fria.
Why does it rain, rain, rain
Down on Utopia?

Dentro de mim, um mundo falido
Que acredita nos seus cacos de cores
Imperfeitas, dolentes, contudo, impolutas
O céu desaba vermelho sobre minha cabeça
Onde nada consta, nada cresce e não chove.
Why does it rain, rain, rain
Down on Utopia?

O segundo faminto leva uma pedaço de mim ao morrer a cada instante.
Sozinho, não achei o quê ou em quem acreditar,
Minha utopia se quebrou ferindo-me nos seus retalhos
Talvez, somente uma boa chuva nos recupere (alma e utopia)
Pois sonhos e utopias são difíceis de crescer.
Sonhei sonhos cinzas, opacos e tristes
Não saí das trevas, afundei-me no breu inútil, mas acolhedor,
Nem mesmo achei a chave que destrava o condicionamento adestrador de homens
Muito menos consegui achar a cura plúmbea para a humanidade incurável e anônima.
Why does it rain, rain, rain
Down on Utopia?

POESIA - TINTA PARA POESIA, TECIDO PARA PINTURA - THIAGO LUCARINI

Juntei os pincéis (dedos)
Selecionei tintas da paleta-alma
Tom sobre tom mágico
Chegou poesia, quero eternizar,
Meu cerne imortal e volátil.
Espalhei lençóis, panos de pratos, diversos tecidos,
(epiderme, cardíaco e mental).
Pintei campos e vales
Desertos, montanhas e mares.
Gravei flores, homens e a morte.
Fiz pintura da poesia
(ela agora jamais descerá a mesmice da sepultura)
Poesia gravada em tecido

Extraída com os olhos da vida vivida.