A Lizandra Oliveira
Numa noite atípica
Quente como o delírio do dia
Sonhei com primaveras não tidas.
Minha casa jamais desfeita
Na permissividade do tempo.
Família, verdadeiro lar, a menina
Não deixada ao seu jardim de incertezas.
Ele também estava ali, sorrindo-me
Como se nunca tivesse ido, sem ruptura,
Doce, gentil, meu. Pegou-me
Depois a rotina de aula
Na leveza de uma esperança
E beijou-me sem partida.
Deixou-me a porta de casa
Aquela tão imaginada e feliz
Na boca o gosto, um sorriso merecido.
Fui-me. O sonho acabou. Restou
Da noite quente apenas a febre
No coração e na memória, a inveracidade
De tudo aquilo que a vida poderia ter sido.
*Poesia encomendada, vendida por um sentimento.
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