sexta-feira, 11 de novembro de 2016

POESIA - O ATOR NU - THIAGO LUCARINI

A Welton Paulo Siqueira

Quando estou despido
De tantas outras faces idas
É que sinto a nudez da rosa

Além de qualquer jardim de roupa posta.
Depõem-se holofotes e figurinos,
Loucos e sádicos; resta um rosto impessoal

Espelho de todos, mas terra de ninguém.
Face mutável, signos e silêncio, alma maleável.
O ator nu no ato é brilhantemente qualquer um. 

POESIA - MALDITOS MENDIGOS DE ACEITAÇÃO - THIAGO LUCARINI

Malditos mendigos de aceitação
Vendendo-se por migalhas e ninharias,
Por bagatelas singelas de demonstração.

Viver assim não incomoda o reflexo?
Alimentar-se com tão pouco dado
Não faz a fome aumentar ainda mais?

Estas migalhas fazem o papel de cola.
Por isso, tentam tanto colar a paisagem
Destas almas trincadas e insustentáveis?

Malditos mendigos de aceitação
Até onde seguirão nesta penitência?
Um dia enxergarão que mendigar é um ato em vão?

POESIA - INFELICIDADE - THIAGO LUCARINI

Minha alma azedou cedo
Encheu-se de amargor

Sem rutilância separatista
Do todo, virei farol abandonado

Sem utilidade, sem prestação
De auxílio à vida mundana.

Desprovido de luz, adiante
Vejo um mar de estrelas afogadas

E outras mais caindo do céu.
Anjos sem bondade e mortos despencam

Engrossando a sopa de desilusão.
Sendo o mar aos meus pés

Lágrimas deste farol vencido
Pela infelicidade. No orla de vidro moído

À flor d’água brota os destroços
Do meu coração. E neste caldo

De estrelas esquecidas e sem sorrisos
Desmorona a razão, toda a lógica de felicidade

Naufragados, nós vamos ao fundo
Ao abismo mais negro de todos. 

POESIA - ELEGIA - THIAGO LUCARINI

Quando eu morrer
Enterre-me perto das flores,
Pois vestido de morte
Estarei com a boca muda
E com os dedos silenciados.
Na cova, eu junto à poesia.
Nós, mortos, não diremos adeus.

Um minuto triste; contemplação,
Chuva no fim da vida: elegia.
O luto vem a partir da morte instalada
Na carne fria e pálida.

Os pássaros silenciarão seu canto
(mudez de pena)
As borboletas se banharão no cinza
(sem cores)
Os vaga-lumes se apagarão
(mas sem morte)

Só eu morro
De amor,
Tristeza,
Alegria.
Por tudo
E por nada.

Sou caça na vida, poeta
De raízes e fardos esperando
Uma boa morte, um soneto
Em bela elegia divina ao humano.

POESIA - IDIOT-SAVANT - THIAGO LUCARINI

Em qualquer tempo subjetivo
Só me lembrarei de você.

Será sempre a estaca cravada
No coração de todos os meus neurônios.

No mar da minha memória
É o pedaço de naufrágio que boia,

Aquele, no qual, me agarro, independente
De todo o resto expressivo e flutuante.

Sou mesmo um idiot-savant
Por reter você em mim, além do tempo

Tão longe do derradeiro esquecimento
E sempre em tão perfeito surgimento.

POESIA - TURMA C 2016 - THIAGO LUCARINI

Capacitados cordeiros,
Cativantes crianças
Coroadas com coragem

Cultuam curas, culturas, crenças,
Corações coloridos, convertidos
Com criativos critérios cumpridos.

Calam-se calmos cantos, cartilhas
Conexões, coexistências, correções.
Certamente começam coisas coisadas.

Crianças competentemente criadas
Creem, crescem, constroem, celebram.
Concretizam cálidos céus carinhosos. 

*Aos alunos da Turma C 2016, da Escola de Tempo Integral Moisés Santana.

POESIA - TURMA A 2016 - THIAGO LUCARINI

Alunos amparados
Almejam alcançar
Acertos apreciados.

Atingir algo afirmativo
Abençoado, alicerçado,
Ao afeto acalentador.

Altos atos apontados,
Algum azedo ajuste,
Aprofundamento de amizades.

Amigos apaixonantes,
Amanhecendo alvas atitudes
Alegres amores andarilhos.

Anjos atados ao amor agigantado,
Alimentada ação assertiva, assumem:
Aquareladas astutas almas açucaradas.

*Aos alunos da turma A, da Escola Municipal de Tempo Integral Moisés Santana.