segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

POESIA - CRIACIONISTA E HABITUAL - THIAGO LUCARINI



O silêncio foi criacionista.
O vazio é habitual.

A solidão foi criacionista.
O amor é habitual.

A tristeza foi criacionista.
A alegria é habitual.

A fé foi criacionista.
A descrença é habitual.

Deus foi criacionista.
O humano é habitual.

O homem foi criacionista.
Deus é habitual?

DISCURSO DO ORADOR DO PREFOP R - THIAGO LUCARINI



O que te inspira? O que te motiva? Estas são simples perguntas retóricas do discurso. Pensem nisto, por enquanto. Inspirar, do lat. inspirare que quer dizer, resumidamente e metaforicamente: “inalar as ideias ou sentimentos de outro, ou insinuar algo no coração de alguém.” Muitos concordam que inspirar é um ato divino, vindo do sagrado, do espírito de Deus ou de qualquer outra entidade divina pertencente a um culto específico. Creem que se trate da manifestação da vontade sobrenatural sobre o físico, para se cumprir suas dissertações empíricas ou artísticas.
Inspirar, certamente, não é uma tarefa fácil no seu exercício diário, no decorrer dos dias, quando, por vezes, o cansaço ou mesmo o desânimo fala mais alto dentro de estruturas de ensino desmotivadoras, desinteressantes e bloqueadoras. Aqui é esperada uma possível iluminação além do humano, ou simplesmente, da própria magnânima força criativa. Fato: inspirar pessoas é uma dádiva, independente do crédito a ser dado. Trata-se de uma concepção de bases teológicas e oníricas, o sagrado racionalizado.
Por berço científico, psicológico e pragmático temos a motivação, a palavra latina que deu origem a este vocábulo significa mover. Relacionada intrinsecamente a ação e vinculada diretamente ao mover, ao agir do processo. A motivação é considerada por alguns estudiosos, depois da inteligência uma das variáveis mais importantes para o desempenho escolar.
Inspiração e motivação apesar de serem palavras de sentido e bases distintas possuem uma aplicação símile no cotidiano estudantil e fora dele. Todo ser humano precisa sentir-se inspirado ou motivado para buscar autorrealização. Ambas ativam emoções, afetam e estimulam a quantidade de esforço que uma pessoa dispensará na realização de uma tarefa para alcançar seus méritos. 
Lembrem-se sempre que toda sala de aula é um tecido permeável, cheio de conexões e trocas em cada ponto da trama, retemos o que nos é valioso, e deixamos passar os dizeres e ensinamentos aos quais atribuímos um juízo de valor pejorativo, o taxativo: inútil. O nosso aluno fará isso também. Cabe-nos fazer o melhor, usando todas as ferramentas que estão ao dispor, sendo o conhecimento e a ponderação, as maiores delas.
Voltando ao iníco, repito: O que te inspira? O que te motiva? Sendo redundante e chato agora. O que te inspira? O que te motiva? Bem! Vamos à resposta pedagógica: o que te inspira e motiva, é, pois, se não um professor que faz com amor aquilo que se propõe a fazer. Creio eu, que não há nada melhor a ser ofertado ao aluno, do que este agir afetivo e consciente. Precisamos de professores que amem aquilo que faz, que são autênticos e verdadeiros em suas ações. O aluno inspirado/motivado confecciona uma projeção, espelha no mestre a estética daquilo que ele pode vir a ser com a devida mediação ou estímulo. O aluno sem inspiração ou motivação não se identifica com a sala de aula ou com o ensino ofertado, os transformando num conjunto desértico e morto. Neste caso, a inspiração/motivação será a água que reaviva diariamente as mentes e corações para as necessidades intrínsecas e extrínsecas de crescimento e desenvolvimento.
Portanto, meu desejo a todos nós: Inspirem! Motivem! Tanto faz ser de cunho onírico ou pragmático, só não façam da sala de aula um espaço mecânico e estéril. Guardem na lembrança a fertilidade das aulas que um dia os engrandeceram. Criem da força da palavra, das emoções positivas ou com auxílio divinal, a sua fonte de inspiração/motivação e plasticidade, pois adaptar-se é preciso também. Inspirem e motivem suas crianças, jovens, seus alunos. Não sejam o vazio espelho de Narciso que mata ao levar ao fundo do fracasso, mas sejam o eco da razão e do raciocínio que se projeta e se agiganta pela reverberação nas montanhas internas do outro. Plantem boas ideias e sentimentos nos seus alunos, para assim, colhermos um mundo melhor feito por estas crianças e jovens inspirados/motivados, que, certamente, moverão os moinhos da mudança.
E aqui, ao final deste discurso, espero que se sintam um pouquinho mais inspirados/motivados, seja dentro de uma sala de aula ou na vida fora dela. Meu muitíssimo obrigado!  

*Discurso apresentado no dia 22/02/2017 na colação de grau do PREFOP R da FAESP no Teatro Madre Esperança Garrido.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

POESIA - PRIMATA DIGITAL - THIAGO LUCARINI



Do silêncio deste teclado
Saem escandalosas palavras.

Navego pelas ondas cibernéticas
Na busca pela felicidade frenética.

Mendigo migalhas de santas curtidas,
Partilho minha alma vaga com quem,

De fato, não me conhece, mas me dá likes.
Meu céu é um pedaço de tela azul.

Sou igreja para seguidores
Sem fé em si, em nós, em tudo.

Sou um produto, uma fantasia,
Limpa, cheirosa e fatídica.

Nada consta de prejudicial
Na minha orquestrada timeline.

Sou este algo imparcial, messias,
Primata digital em regressão.

Meu tolo coração iludido
Bate por bytes de conexão.

Devo ter perdido minha humanidade
No primeiro post feito há um tempo.

Curvo-me, cara colada no chão,
Oração pelo melhor ângulo e muita notificação.

Religioso avesso, fanático por aceitação,
Meu e-book do apocalipse chama-se: off-line.

POESIA - QUANTAS CORES ESCONDE O ARCO-ÍRIS? - THIAGO LUCARINI



 Por vezes, somos uma farsa ensaiada
Diariamente, escondemos aquilo que somos.

Seja por medo, comodidade, cinismo, inverdade
Sempre há um pouco mais a ser cavado, a ser revelado.

Sendo assim, sendo intrometido e inconveniente
Pergunto ao poeta pateta, o sábio das arestas:

Quantas cores esconde o arco-íris?
Será que vela a mais preciosa para si?

Quantos perfumes esconde a rosa?
Sob pétalas diversas guarda o olor divino?

Quanto da música esconde a partitura?
O que não diz os rabiscos sob regência?

Quantas gotas de chuva escondem a dor da queda?
Ocultam no correr baixo a fratura de cair do alto?

Quantas faces esconde o ator?
Espinhos ou coroas veste no palco?

Quanto há de Deus no humano?
Quanto há de humano em Deus?

Quantas palavras da alma esconde o poeta?
Responda poeta, responda a infinda retórica.