sexta-feira, 19 de agosto de 2016

POESIA - LUNÁTICOS FERIDOS - THIAGO LUCARINI



Lunáticos feridos
Nos campos da ilusão

Seguem rindo
Apesar da morte,

Apesar das feridas,
Apesar de lhes faltarem

Prumo, pedaços e peças.
São náuticos da insanidade

Irremediáveis sem conserto.
Lunáticos feridos

Nos campos da ilusão
Seguem devaneando

Que chegarão
Dias de paz,

Mas serão eles,
De fato, capazes

De distinguir
Tempos tão distintos?

Se dançam e riem
Feridos e sobre os corpos

Dos seus amigos, o quê
Não farão quando seus pés

Não tiverem mais feridas e o chão
Abandonar a irregularidade dos mortos?

POESIA - DESMEMBRAMENTO DA ALMA - THIAGO LUCARINI



Não fazer o que devemos fazer
nos condena tanto quanto
fazer o que sabemos ser errado.
Andrew Pyper

E cada dia será uma guilhotina
A amputar um pedaço da metade
Abandonada e triste que me sobrou.

A cada descida afiada da lâmina
Vai-se algo meu. Hoje meus olhos perderam
As cores das flores. Ontem o canto dos pássaros

Tornaram-se agulhas em brasa
Aos meus ouvidos. E amanhã
O quê levará de mim a lâmina?

Vou esmorecendo em apatia, dono
De um crepúsculo monocromático.
Maldita! Mil vezes maldita por

Por tudo o que levaste de mim
Deixando-me com a mixórdia do beijo diário
Desta guilhotina a arrancar-me nacos da alma.

POESIA - SOLIDÃO DE POETA - THIAGO LUCARINI



Solidão de poeta
É papel e caneta.

É o traçar do verbo
Para achar nas internas discordâncias

A concordância de suas palavras externas,
E enfim, encontrar nelas, musas para companhia.

Grafia quente ou fria? Não importa,
Desde que não esteja o poeta, sozinho.

A mão escreve, o papel se enche
E o poeta se aquece em delírios.