terça-feira, 25 de agosto de 2015

POESIA - MORTOS DE SEDE - THIAGO LUCARINI

O poeta afluente
Esvaiu-se em palavras
Bebendo inspirações salgadas.
Cloro concentrado
Depressivo e sonífero.
Sódio nas veias, contrição
ADH antilírico
Renina-angiotensina em ação
Deixa homens mortos de sede
Todavia, mais sede tem o poeta
Concentrado duas vezes mais
Sem o amparo de um mísero

Copo de água fresca. 

POESIA - OLVIDO - THIAGO LUCARINI

FOTO: Thiago Lucarini

Mas a quem chora os mortos, entretanto,
O esquecimento vem e enxuga o pranto,
Cruz e Sousa

Derramei minha última lágrima
O tempo me fará não mais sofrer.
Justos são os mortos que nada choram
Que bebem da fonte do esquecimento
Junto à morte serena, de nada
Absolutamente nada, se lembram os mortos
Em seu séquito de lágrimas para a sepultura.
Pobre dos vivos! Pobre de mim
Fausto, talvez, eu seja, quando
Enfim, vestir a insensibilidade dos mortos
Cheios de olvidamento, e surdos ouvidos
Para o clamor, o clangor dos corações
Que ficam batendo sobre a terra.

POESIA - SILÊNCIO UNIVERSAL - THIAGO LUCARINI

FOTO: Thiago Lucarini

Pare!
Feche os olhos.
Sinta!
Abra teus ouvidos.
Percebes?
Além de todo o barulho atual
Há um silêncio tangente
Crepitando nas raízes e pilares
Deste universo corriqueiro.
Há um silêncio, uma mudez
Na nudez das estrelas
Na flor que se abre no cio
No canto natimorto do pássaro triste
Nesta alma além de qualquer som e cor
Fremente ante este silêncio,

Que estranhamente não é de morte.

POESIA - SIMBIOSE - THIAGO LUCARINI

O dia nasce
A partir da queima
Dos sonhos da noite.
A noite nasce
Dos suspiros acumulados

Das horas áureas mortas pelo ponteiro.

POESIA - SANGUE BRANCO - THIAGO LUCARINI

Nunca senti o perfume da rosa primaveril
Nunca provei duas pétalas
Nunca tive sua delicadeza
A vejo, a cada dia, mais bela e virgem

A ela devotei todo o meu sangue branco.

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

POESIA - SEM CUECA - THIAGO LUCARINI

A nitidez de pensamento acaba
Quando ela é colocada.
O homem vive apertado
Reprimido, estrangulado
Sem espaço nem movimento
De crescimento e expansão
Sob controle férreo
Por ela... Maquiavélica
Cela do corpo
Prendendo a lagartixa
Inofensiva.
O pudor acaba quando sem ela
Alazão em disparada
Nos campos de Vênus.
Todo homem só é de fato
Perigosamente livre
Sem cueca.

POESIA - TRIBUNAL DE ASAS QUEBRADAS - THIAGO LUCARINI

FOTO: Thiago Lucarini

O Céu chorou
Um anjo dolente morreu
Enclausurado e depressivo.
Pois fora condenado
Por amar
Pelo infausto coro sacrossanto
Pela infame brutalidade dos ditos bons.
O amor aos celestes
Seres etéreos
É um pecado de morte.
Contraditório
Ambíguo
Cruel
Coorte dos corações de plástico
Amor é amor (no Céu e na Terra)
Infelizmente
Venceu o tribunal de asas quebradas
Onde estão os culpados?