sexta-feira, 27 de maio de 2016

POESIA - APOCALIPSE POÉTICO - THIAGO LUCARINI



Os céus se abrirão
Os montes se elevarão.
Das estrelas virá o júbilo.

Todos os homens verão
A parusia da poesia no céu
Instituindo misericordiosa salvação.

Antagônico ao Armagedon 
Concretizar-se-á com estética perfeita
As revelações poéticas sem fim.

Os homens chorarão ante a santidade.
Cantarão os pássaros, florescerão as flores.
Será chegado o Paraíso em vida pela poesia.

POESIA - AUSÊNCIA - THIAGO LUCARINI



Ainda dói tanto,
Tanto, tanto, tanto
Este buraco deixado na minha alma

Pelo espinho da tua miserável partida.
Não suporto mais caminhar sem rumo,
O peso deste corpo inútil sobre estes pés cansados.

Não suporto mais ver este reflexo apático,
Cheio de bolsões de lágrimas estampados
Nestes olhos enevoados feitos de chumbo

Inorgânico que me arrasta para o fundo
Desta face espelhada e brilhante, que amarra
Os resquícios desta alma, desfeita, liquefeita

Pela tragédia da fria solidão. As paredes desta casa
Gritam o teu nome ressoando por todo o meu corpo,
Que vibra baixinho na exata frequência da sua ausência.

POESIA - CARDUME DE BORBOLETAS - THIAGO LUCARINI



Os pescadores estavam em alto-mar
Cingidos de cintilantes águas equóreas.

Jogaram suas redes de náilon ao receptivo verde mar,
Sentiram as chumbadas as puxarem para baixo

E aguardaram pacientes pelos cardumes mágicos
Na espera gozaram da fresca brisa calma e do sol.

Os pescadores não tardaram a puxarem as tramas
Das redes, sopesavam-nas com tamanho peso,

Qual não foi a surpresa deles ao cair com um baque seco
No convés do barco as redes cheias de coloridas borboletas. 

Não acreditaram quando foram avisados sobre este fato
Peculiar que ocorria ali pelas bandas do Mar da Fantasia.

Agora eram fiéis crentes. Os pescadores levaram embora
O cardume em revoada de impensáveis borboletas salgadas.