segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

POESIA - FLOR-CADÁVER - THIAGO LUCARINI





Enraizada na carne pútrida
Desabrochou nas marés do tempo
Cadaverina exalou
Embrulhando o estômago
Moscas e vermes festejam
Coroam a morte sagaz
Com a rainha flor-cadáver
Floresce o jardim bizarro
Chegou à dama dos mortos.

POESIA - TORMENTUM - THIAGO LUCARINI





O relógio soou
Repicou em agonia
O badalar da vida
Os ponteiros apontam
A direção perdida
Início e fim
Vida e morte
Dia e noite
Tique-taque
O tempo gira tonto
Trono de Deus
Tormento dos homens.

POESIA - DEVOÇÃO - THIIAGO LUCARINI



 Se sua presença
Fosse doença
Padeceria deste mal
De bom grado
Pois só você
Somente você
Tem o direito
De me consumir por inteiro.

sábado, 14 de fevereiro de 2015

ARTIGO - PASTOREIO NO LODAÇAL - THIAGO LUCARINI





Deus não deseja um rebanho cego, pois a cegueira levará as suas ovelhas a caírem do penhasco encontrando a morte e o inferno tão temidos. A Bíblia não é um cabresto ou mordaça, muito menos instrumento de hipnose galinácea, mas sim, uma ferramenta de liberdade, arrombadora de correntes e grilhões. Quem faz da fé um chicote contra a humanidade não tá lá muito certo, pois ela não foi feita para mutilar.
Vomitar doutrinas dogmáticas inflexíveis e cruéis impunemente na água dos inocentes tolos devia ser considerado um ato terrorista contra o direito humano, afinal, na atualidade, não há nada mais ferido e violado que o livre-arbítrio, ele foi da concretude famélica a utopia quimérica, pobrezinho, definha, padece na escuridão do inaceitável, deram-lhe sua sarjeta suja e não há um habeas corpus para soltura a vista.
Muitos fazem da religião um lodaçal denso e traiçoeiro, isso certamente é um pecado abominável e a brecha do diabo, a maçã do seu jardim. O homem confecciona seu próprio inferno, dando ao demônio os meios para combatê-lo como um verme insignificante incapaz de fazer metamorfose, incapaz de construir suas próprias asas, mas autodidata em sua singularidade natural, animal e impecável em queimar-se nas chamas da opressão retalhadora. O Inimigo só reflete e usa o que ofertamos, tarjado como O Grande Mal, mas no fundo chama apenas: EU.
Vender Salvação é um negócio lucrativo no mercado de almas, o Templo virou um circo dos horrores, palhaços digladiam entre si coloridos e pomposos prontos para devorarem o maior número de crianças de olhos rasos. Fazem ‘Deus’ um espetáculo forjado, a Igreja serve ao homem e não ao seu objetivo inicial ou Pedra Fundamental. Levamos gato por lebre, Santa Hipocrisia Humana por Paraíso, haja heresia; abram as portas da Redenção, todavia, mãos tolas perderam a chave casta: o amor. Em busca de ouro e glória.
Os Líderes agem como anticoncepcionais do pensamento e conhecimento, confeccionando rebanhos, e só. Vestem armaduras de moral reluzente por fora, mas enferrujada por dentro. O Milagre verte sangue. O socorro tão esperando não foi solicitado, pois o ramal do Céu foi cortado, não pagaram a conta. 
 A Santidade, a honestidade e os missionários fiéis entraram em extinção. Os Santos lamentam, perdeu-se o prumo limpo e altruísta da fé de outrora. Massificados somos apenas ovelhas primitivas e cegas, tomando fé a conta-gotas ou em pílulas diárias e mesquinhas. O púlpito virou Casa de Penhores e Embargos do Firmamento, tendo como principal associado o Inferno. Deus deixou de ser imensidão e ao pó voltou.
As pessoas esquecem-se que a ousadia do ensinamento de Jesus Cristo, entre outros profetas, consistia em não ter amarras ou julgamentos, Ele não pedia nada além do amor incondicional ao próximo. O Espírito Santo é conforto, auxílio e sabedoria, entretanto, o menosprezamos ao escolhermos espinhos e estupidez. Jorra fogo, porém não do purgatório, mas da ignorância. A força celestial sempre residiu na bondade e respeito a si e ao outro. Contudo, devido ao pensamento quebrado implantado vemos na falsa luz, esperança, porém enganados, morremos como mariposa atraída pela lamparina sedutora. Não distinguimos mais o Original do banal.
Cansa-me estes Evangelistas que pregam a Palavra com o martelo da arrogância, sendo que o próprio Nazareno foi suave e gentil. A prepotência e o ego falho derrubam as paredes da edificação-religiosidade, por isso, Igrejas caem a todo instante sopradas pelo Lobo Mau, homens se fazem deuses sem buscar uma ligação com Deus, e fatalmente igualmente despencam, sua fé de cera derrete ao sol da verdade inexpugnável, e assim o mal prevalece.
Extremismos só nos levam as margens e as margens só dão a beira de precipícios, é preciso bom-senso para achar o caminho do meio. Pode ser que seja à hora de abrir uma exceção. Talvez essa seja uma grande parte da quase impossível missão de encontrar o Céu dentro e fora de nós. 

ARTIGO - LITERATURA: A PALAVRA PERDIDA - THIAGO LUCARINI





Os grandes mestres da língua choram do além literário, nunca ler esteve tão fora de moda. As pessoas assassinam a língua a todo instante, as facilidades tecnológicas auxiliam neste processo de ‘emburrecimento’, mas não são rés solitárias. Os dias atuais forçam tudo a ser ‘pra ontem’ e nesta pressa devastadora perde-se o senso, o tempo e o aprendizado que poderia vir de uma boa leitura.
Numa era de pleno despontamento literário, pequenas editoras pipocam pelo país a fora em busca de novos autores, todavia, nem sempre estes potenciais formadores de opinião estão aptos, e demandam corretores e revisores para suas obras, pois muitos querem escrever sem ler e algo certamente dará errado nesta fórmula.
É preciso lembrar-nos piamente que os livros não possuem apenas um papel de entretenimento ou passatempo. A literatura e suas abordagens diversas têm o papel social, de educar e transmitir valores dentro da comunidade na qual estamos inseridos ou mesmo fazer este cidadão pensar de forma crítica sobre o mundo que o cerca.
Obviamente que falar de literatura numa nação onde a educação pública é uma vergonha, chega a ser quase absurdo tal abordagem, pois não existe a formação de leitores no Brasil. Isso não se aplica somente ao mundo da fantasia, não sabemos ler rótulos, receitas médicas, interpretar contratos. Somos engolidos pela ignorância, tolos nos atropelamos. 

Os livros passam a ser apenas muletas ultrapassadas e escritores: encostados sociais, consequentemente morre o país num mar de incultos, a Palavra de protagonista auxiliadora torna-se antagonista da sobrevivência. A educação e literatura são a graxa que lubrifica as engrenagens de uma sociedade não nos esqueçamos disso. Reencontremos essa palavra perdida e tão valiosa: literatura. Mudemos já, na infância prematura ao invés de ofertamos a criança um celular de última geração, plantemos livros em suas mãos.
Possivelmente, desta forma, voltaremos à raiz do saber, deixaremos de ser folhas levadas pela correnteza do rio das lamentações, para nos tornarmos resistência contra as águas impetuosas que desejam ferozmente nos levar ao engano crucial. Façamos dos escritores e dos seus livros uma ferramenta do pensamento, para gerarmos bons frutos num futuro não tão distante.