sexta-feira, 3 de junho de 2016

POESIA - QUERIDO AMOR VERDADEIRO - THIAGO LUCARINI

Querido amor verdadeiro
Quero saber por onde andas?
Por qual direção indecifrável seguiu?

O que faz, assim, tão longe de mim?
Se te magoei ou feri, não foi intencional,
Por vezes, sou um estúpido insensível

Que não toma consciência dos parvos atos.
Devo ter feito algo muitíssimo grave, perdão.
Concluo isso devido o silêncio que recebo,

Este vazio no coração e na oração
E esta presença perene da solidão.
Seja lá o que eu tenha feito. Perdão amor, perdão.

POESIA - FOME - THIAGO LUCARINI

Que fome é essa?
Que fome é essa?
Que fome é essa?

O estômago queima
Como se estivesse cheio
De brasas vivas fomentando

A dor da fome insaciável.
Sinto uma fome sem fim.
Não faça desta fome uma generalização

Da condição humana. Minha fome
É uma marca indissociável de transformação.
Jamais poderás entendê-la, pois essa fome

Não é vencida por comida ordinária.
Come a alma, a fé, os sistemas, os morfemas,
Que fome é essa? Que fome é essa?

POESIA - ABSTRAÇÃO - THIAGO LUCARINI

Se metade da resposta estiver na pergunta, imagine:
“Quem sou eu?” Eu sou...
A outra metade é tão vasta quanto o infinito...
Pepita de Oliveira

Olhos estáticos
Observando a vida,
Mas não esta a do além.

Concentração no acaso,
E no descaso deste tempo,
No qual, insisto em viver.

Vivo de lamentações
E abstrações de tudo aquilo
Que me cerca. A mente vaga

Solitária por um espaço de tempo
Indefinido e monocromático.
Abstraído de tudo me torno extrato

Húmus de pensamento
Variante errante de mim
Tentando achar a resposta de: quem sou eu?

POESIA - ARCAICO - THIAGO LUCARINI

Nos arcos do tempo
Meus dizeres laicos
Tornaram-se arcaicos,

Obsoletos, pesados
E sem sentido de uso.
Antigo depositário de poeira

Minhas palavras cansadas e enfadonhas
Em prosaicos mosaicos irregulares
Viraram pavimento inútil na ordem do dia.

POESIA - EXPOENTE POENTE PATETA - THIAGO LUCARINI

O expoente pateta
De uma base qualquer
Quedou-se invejoso do sol

E iniciou sem razão matemática
À descida fazendo-se
Um número poente sem crepúsculo.

Resultado: o expoente
Virou um tolo código subscrito.
Morreu, assim, a potência.

POESIA - AUTOESTRADA - THIAGO LUCARINI

Vou-me pela autoestrada
Dirigindo dentro de mim
Por imagens planas sem planos
Sem altas paragens ou construções.

Sigo por este labirinto
De asfalto e sentimento
Auriga sem pertencimento
Janelas abertas para intersubjetividade.

Atravesso imensidões isoladas
Derrapo em curvas sinuosas e insidiosas
E caio frequentemente em buracos traiçoeiros

Nesta autoestrada de viagens infindáveis.

POESIA - FORNALHA - THIAGO LUCARINI

Fornalha acesa
Queimado boa madeira
Uma acha, um feixe,
Um galho, uma árvore inteira.
Assim, a fornalha de bocarra
Aberta vai lambendo seu alimento
Tornando tudo em cinzas para próprio contento.
Queima a fornalha aquecendo as almas
Dos apaixonados numa cabana isolada,
Devorando corpos no crematório,
Aguardando os pecadores da vida,
O tosco metal para ser forjado.
Fornalha acesa... Queima...