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segunda-feira, 16 de novembro de 2020

RESENHA: ENTRE O POEMA E A POESIA EXISTE UM PONTO DE SOLIDÃO DE CALIKCIA VAZ

Poesia, a meu ver, é um processo interno, é preencher lacunas do ser ou apenas dar vazão a elas. Ninguém deve estar cheio de vazios. Não posso encarar os poemas deste livro de forma técnica, pois não tenho capacitação para isso, mas, posso esmiuçar sobre o que as palavras de Calikcia Vaz me trouxeram. Falarei das poesias num todo como uma Voz, uma personagem a ser interpretada.

Sobre o livro físico, a capa é mais que ilustrativa e bela. A qualidade da impressão do Clube dos Autores me impressionou. O livro é muito bem editado. Há pequenas ilustrações que compõem um arranjo perfeito. É nítido o cuidado da autora com sua obra, e isso, é sempre admirável.

A antologia, Entre o Poema e a Poesia Existe um Ponto de Solidão, é composta por quatro atos: Meus primeiros versos, Amanhecer, Entardecer e Ao cair da noite, que traz em seu cerne uma homogeneidade e linearidade muito bem-vindas.

Que fique claro; este não é um livro de poesias felizes, não há um grande ápice de felicidade ou de redenção do eu-lírico, pelo contrário, é uma Voz que se afunda em seus pensamentos, no seu distanciamento do mundo e dos outros. Algo que eu particularmente gosto muito e me trouxe à mente enquanto lia as poesias pessimistas e de somenos de Cruz e Souza ou mesmo de Augusto dos Anjos.   

Pode-se reconhecer na Voz as agruras de uma vida, a perturbação da desilusão do amor e do abandono misturados a um excesso de carência e necessidade de aceitação. Quem nunca? Os versos de Calikcia são carregados de penúria e lamento, da busca daquilo que poderia ter sido, claramente, aprisionados em ecos de um passado idealizado que prometeu felicidade e não entregou. A Voz desestabilizada acostumou-se com a tristeza dos dias e mente ao dizer o contrário, o que a impede, de seguir, de fato, adiante. A Voz habita na falta. É um eu-lírico que vacila em busca de completude e autorrealização no outro, nunca em si, claros nos poemas: Apenas um alguém e Nada encontrei.

Entre o Poema e a Poesia Existe um Ponto de Solidão de CalikciaVaz não é uma coletânea poética para quem busca emoções de felicidade instantânea, ao invés disso, é uma descida visceral ao fundo do poço, é encarar de frente a desilusão e o abandono, a morte física ou idealizada de um pseudo-amor que mais tirou do que deu.

É a amostra pura e desnuda de uma alma que visivelmente busca correspondência de vida, cura e redenção, mais que amor. E, uma obra assim, verdadeira, fala mais de nós, do que gostaríamos de reconhecer.

Thiago Lucarini

quinta-feira, 22 de outubro de 2020

RESENHA: O PANTEÃO DOS PESADELOS POR CHIRLEY COUTO

        Hoje, apresento-lhes, a maravilhosa resenha para, O Panteão dos Pesadelos, feita pela leitora e amiga, Chirley Couto.


        Sabe quando você começa a ler e de repente só percebe que não fez mais nada quando chega ao fim? Foi assim que me peguei ao prestigiar os 13 contos de terror do livro “O Panteão dos Pesadelos”de Thiago Lucarini, sabe aqueles contos que envolvem mistério, terror, magia, criatividade e toque de lucidez misturado ao delírio? Isso mesmo, consegui perceber tudo isso em um só livro, claro que teve contos prediletos, me coloquei no lugar da mãe do menino diante da situação inusitada do cofre e, confesso que até hoje após dias ainda me pergunto como seria se o conto virasse um filme, o que realmente haveria por trás daquele mistério! Mas aos apaixonados pela viagem que a leitura nos faz vivenciar podem ler sem medo, aliás, podem ler com medo kk, medo do mistério, medo dos delírios. 

        

Outro elemento importante que não poderia deixar de citar é que os contos fazem uma releitura dos signos do zodíaco de forma inusitada, então, pensa na curiosidade para saber o terror que irá assombrar o seu signo!Não sei dizer se depois de ter lido o livro vou encarar os músicos da mesma forma, conto “O músico” rs, rs, rs, mas este não foi o conto destinado ao meu signo. Merecido repouso aos maridos que educam suas esposas na retidão da moral, me marcou o conto “O Construtor”, mas os detalhes caros leitores confiram fazendo vocês mesmos a leitura, este conto me confirmou que para cada ato praticado, uma consequência nos espera. Poderia descrever aqui a magia de cada conto, gastaria milhares de palavras, colocaria milhares de sentimentos, porém, digo apenas que valeu a leitura, valeu o tempo dedicado a esses relatos literário ficcional de terror. Deixo aqui como sugestão para quem já gosta da literatura de terror e deixo como sugestão para quem diz que não gosta, porém está aberto a novas descobertas por meio da leitura ficcional. E para quem ficou curioso meu signo é sagitário.

Chirley Couto

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