sábado, 6 de março de 2021

POESIA - DOR

A dor é o sentir derradeiro

Imune a qualquer mentira.

Não há um alguém que doa

Pela metade, por partes,

Pois só se dói por inteiro.

 

A dor marca em brasa

A humanidade esquecida,

Freme a frágil alma

Ante seu deus maior.

POESIA - FALTA

A flor continua bela

Apesar de uma ou duas

Pétalas que caem.

Mas para a flor é inegável

Que a parte que lhe falta, falta!

Sem mais plenitude.


POESIA - HORIZONTES DE FELICIDADE

Hoje eu não estou bem

Tenho um nó no meio

Um aperto no peito

Uma falta de um monte

De coisas que não sei explicar.

Mas não me cobro em estar pleno

Quando os dias não são fáceis

Estar meio murcho em tempos difíceis

É esperado, previsível e nada anormal.

Insisto mesmo que o ponto de vista não seja

Favorável, pois é preciso crer em novos e

Melhores ares em horizontes de felicidade.

MINICONTO - ERRO DE PROGRAMAÇÃO

 

O corte no seu dedo sangrava, depois de um tempo, percebeu que o sangramento não estancava. Começou a entrar em colapso. Usou uma tonelada de gazes, pedaços de tecido. E numa dessas vezes, enquanto limpava o ferimento, viu um pequeno brilho em sua carne, acreditou ser um pedaço do vidro com qual se cortou. Cuidadosamente analisou o fulgor e com o próprio dedo futucou a ferida, porém o objeto cintilante não saía. Entretido, acabou por cutucar demais o machucado e uma parte da sua carne macia cedeu ainda mais, só então se deu conta, de que não podia se tratar de um caco de vidro. Ignorando os protocolos de segurança e a dor, puxou filetes da sua carne, arrancando-a e pondo os nacos ensanguentados sobre a bancada, descarnou toda a sua mão e metade do antebraço, expondo a luz do dia, uma armação de metal, ao invés, de um esqueleto humano.

quinta-feira, 4 de março de 2021

POESIA - VELA

 

No escuro meu corpo se desfaz.

A chama sobre minha cabeça

Guia a tantos, mas é incapaz

De me salvar.

Afasto medos alheios,

Porém frágil como sou

Com um sopro cruel

Se livram de mim.

quarta-feira, 3 de março de 2021

MINICONTO: SUCO

        
         Eu não sabia se ria ou se chorava, por via das dúvidas, continuei a tomar meu suco, quase engasguei algumas vezes, tomada pelo misto de emoções e sabores tão inocentes. Muitos pensariam ser só um suco de morango superconcentrado, porém o choro estridente e a perninha faltante do meu bebê diziam o contrário.   

terça-feira, 2 de março de 2021

PODCAST - CEMITÉRIO DOS INFINITOS


            Conheçam meu novo podcast, Cemitério dos Infinitos. Onde recito as poesias, que aqui publico.

Cemitério dos Infinitos: Link do Podcast