A
dor é o sentir derradeiro
Imune
a qualquer mentira.
Não
há um alguém que doa
Pela
metade, por partes,
Pois
só se dói por inteiro.
A
dor marca em brasa
A
humanidade esquecida,
Freme
a frágil alma
Ante
seu deus maior.
A
dor é o sentir derradeiro
Imune
a qualquer mentira.
Não
há um alguém que doa
Pela
metade, por partes,
Pois
só se dói por inteiro.
A
dor marca em brasa
A
humanidade esquecida,
Freme
a frágil alma
Ante
seu deus maior.
A flor continua bela
Apesar de uma ou duas
Pétalas que caem.
Mas para a flor é inegável
Que a parte que lhe falta, falta!
Sem mais plenitude.
Hoje
eu não estou bem
Tenho
um nó no meio
Um
aperto no peito
Uma
falta de um monte
De
coisas que não sei explicar.
Mas
não me cobro em estar pleno
Quando
os dias não são fáceis
Estar
meio murcho em tempos difíceis
É
esperado, previsível e nada anormal.
Insisto
mesmo que o ponto de vista não seja
Favorável,
pois é preciso crer em novos e
Melhores
ares em horizontes de felicidade.
O corte no seu dedo
sangrava, depois de um tempo, percebeu que o sangramento não estancava. Começou
a entrar em colapso. Usou uma tonelada de gazes, pedaços de tecido. E numa
dessas vezes, enquanto limpava o ferimento, viu um pequeno brilho em sua carne,
acreditou ser um pedaço do vidro com qual se cortou. Cuidadosamente analisou o fulgor
e com o próprio dedo futucou a ferida, porém o objeto cintilante não saía.
Entretido, acabou por cutucar demais o machucado e uma parte da sua carne macia
cedeu ainda mais, só então se deu conta, de que não podia se tratar de um caco
de vidro. Ignorando os protocolos de segurança e a dor, puxou filetes da sua
carne, arrancando-a e pondo os nacos ensanguentados sobre a bancada, descarnou
toda a sua mão e metade do antebraço, expondo a luz do dia, uma armação de
metal, ao invés, de um esqueleto humano.
No
escuro meu corpo se desfaz.
A
chama sobre minha cabeça
Guia
a tantos, mas é incapaz
De
me salvar.
Afasto
medos alheios,
Porém
frágil como sou
Com
um sopro cruel
Se
livram de mim.