sexta-feira, 4 de março de 2016

POESIA - ERRO CONVEXO - THIAGO LUCARINI



Ah, se me erro
Me vejo no convexo
Reencontro-me no reverso
Ao abrir o inverso
Das entranhas do verso
É inverno sempiterno
Na valsa ingrata do ego.

POESIA - CANTO DURO - THIAGO LUCARINI



Canto escuro
Sem rumo
Sem fundo
Sem furo.

Canto duro
Sem arestas
Sem frestas
Sem janela
Aberta.

POESIA - DISLALIA - THIAGO LUCARINI



FOTO: Thiago Lucarini
 
Rosa,
A foca, rola
Espalhafatosa
Na poça.

A foca
Que não é faca
Brinca com uma vaca
À beira d’água.

Relaxado jacaré
Com bicho de pé
Descansa sem ter chalé
Debaixo do aguapé.

Chega à maré
Vai embora sem volta
A vaca, a foca
E fica o jacaré.

POESIA - CATADOR DE COISAS - THIAGO LUCARINI



Cato
O aro
O trapo
O prato
O caco.

Cato
O gato
O sapo
O rato
O pato.

Tudo cato
E aperto
O passo.
Pulo a poça
Bato à porta.

Cato uma viola
E vou-me embora
Estrada afora
Catando, cantando
Pelo mato sem rastro.

POESIA - S EM TOM - THIAGO LUCARINI



Toda seiva do mundo
The skin of my body
O sal do oceano
O silvo do vento
The silver moon
O sol do céu
O sibilo dos sinos
O sorriso da sua face
The strenght of fate
A sorte longe de nós
A saudade em mim.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

POESIA - PRESENÇA FANTASMA - THIAGO LUCARINI

Cálidas mãos fantasmas
Que árduos mistérios guardam?
Como conseguem ainda preservar algum calor?
Será isso resquício de um passado amor?

Ternos braços fantasmas
Que meu corpo abarca
Como posso eu sentir tal toque abstrato?
Talvez, sejam meus sentidos de vício
Esperando achar um novo indício
Nestes dias funestos de duro martírio.

Lágrimas fantasmas
Estas não estão além do irreal
São minhas. Derramam-se invisíveis
Por dentro. Meus olhos áridos
A vista alheia, porém sensíveis, e em silêncio

Choram por um alguém apagado do tempo.