segunda-feira, 24 de outubro de 2016

POESIA - A MEDUSA E A FLOR FERIDA - THIAGO LUCARINI



A bestial Medusa capaz
De transformar flor em pedra

Deve absolutamente morrer.
Causar desgraça aos homens falhos, tudo bem,

Mas a uma flor serena e límpida, não.
Alguns atos são imperdoáveis mesmo para os monstros.

A Medusa capaz de ferir uma inocente flor
Negando-lhe ao impoluto útero a chance de ser fruto virtuoso

Deve morrer, não tem perdão, merece receber o salário da morte redentora,
Ter suas prístinas serpentes arrancadas, e ser obrigada, em primeira instância

A ser pedra velha, ou infligir-se a extrema sentença de viver
Na líquida eternidade olhando a própria maldita face insuportável.

POESIA - CHUVA DE METEOROS - THIAGO LUCARINI



Há uma chuva de meteoros lá fora
Tão bela e apaixonante tão única.

Aqui dentro no universo dos teus olhos
Também há uma chuva de meteoros

Densas lágrimas ardentes viajam silenciosas
Pelo teu rosto, deixando um rastro sem fulgor.

Divagam seus avessos e falhos meteoros líquidos
Selando a superfície perfeita do teu sorriso límpido.

É um espetáculo infeliz e dolorido, trágico,
Despencam os meteoros do teu céu escuro.

Lá fora, cômico, o céu chora fogo em pedras
Em contraponto a tua chuva de dilúvio e escarro.

POESIA - A MÃO QUE CEDE, O CACHORRO QUE LAMBE - THIAGO LUCARINI



Dos dissabores dos amores
Sentimento dado a conta-gotas
Impenitente sem sustância do coração.

Implorar migalhas, rastejar aos seus pés
Atrás de miséria e afeição, adestrado.
Aprendi a mendigar para evitar a solidão,

Porém no hálito azedo dos dias
Repenso esta falsa ideologia instalada.
Estar em par díspar é padecer duplamente sozinho.

A mão que oferece restos é profana
E o cachorro que lambe as sobras de maus agouros
É um idiota que escolheu o inferno do rombo da fome.