sexta-feira, 5 de agosto de 2016

POESIA - A NOITE QUE CAI - THIAGO LUCARINI

A noite que cai em mim
Não cai igual a nenhum outro

Pois a noite que cai em mim
É minha e de mais ninguém.

Passo o dia todo esperando
Eu anoitecer, passar pelas cores

Do fim de tarde para enfim
Achar meu negro manto de escolhas

De altas estrelas brilhantes
E baixos vaga-lumes do verão.

A noite que cai em mim
Não cai igual a nenhum outro

Pois a noite que cai em mim
É poesia minha e de mais ninguém.

POESIA - CABALÍSTICA - THIAGO LUCARINI

Escorri-me em agonia
Era noite cabalística e fria
Lá fora um cão latia.

No peito o coração ardia
Ante a minha covardia
De não dizer aquilo que sentia.

Por isto, não és hoje, minha
Inutilmente não fui andorinha
Resta-me sofrer sem companhia.

POESIA - PRAZERES - THIAGO LUCARINI

Quero beber dos teus fartos seios
As seivas dos loucos licores do amor
Descobrir entre tuas pernas o néctar
Dos prazeres buscados sem pudores.

Quero cheirar teu corpo nu, dos poros
Obter revelações arrepiadas e inconfessas,
Mas nada de vagas promessas velhas.
Desejo estabelecer conexões sem pressa,

Pois o que de fato me interessa
É chegarmos ao apogeu cósmico
Da erupção do nosso gozo em jorro.

Farei para nós um novo mundo
Sobre a cama, aonde o meu céu
Será o teu sorriso, e o seu chão, o meu.

POESIA - TÁLAMO - THIAGO LUCARINI

O cálamo riscou no papel
O princípio e o fim dos lençóis
Imaginários e quentes daquele tálamo

Riscou todo o amor, o primeiro olhar,
A rosa dada, o beijo, o aconchego, a aliança
E o encontro definitivo na cama.

Prescrito o destino desinibido
Cumpriu-se com alegria a vida dita
Nos rabiscos dos lençóis-papel.

POESIA - O CICLISTA - THIAGO LUCARINI

O ciclista
Que segue
No acostamento
Da rodovia
Principia
Certos perigos
E certas belezas.
O fluxo passa
À suas costas,
À margem
Possíveis flores
De esperança
E resistência.
Pedala e segue
Por subidas,
Descidas e retas
O ciclista
Em sua simulação
Da vida.

POESIA - ALUNO - THIAGO LUCARINI

Ali sentado
Naquela carteira
O quê pensa o aluno?

Está ele verdadeiramente
Por dentro de todos
Os mistérios culturais
Que traduzem a sua vida
Ainda tão fictícia e idealista
Cheia de delírios do futuro?

Ali sentado
Naquela carteira
O quê pensa o aluno?

O quê será que tanto rabisca
No papel, na carteira e na vida?

Serão maneiras de se perceber
Ou só asneiras para se entreter?

Ali sentado
Naquela carteira
O quê pensa o aluno?

Quem é o aluno?
Quem é o aluno?
O quê quer o aluno?

O quê pensa o aluno?
Quem é o aluno?
O quê quer o aluno?

POESIA - AULAS DA ESCOLA - THIAGO LUCARINI

Contigo refarei meus passos
Sonhados das aulas da escola

Quero que desbrave minha
Travessa Língua Portuguesa

Elucide minha confusa Matemática
Que só se acha em par e nunca em ímpar

Contarei-te minha História e a farei
Descobrir minha elevada Geografia.

Aferiremos nossa força gravitacional
Em Física e nossa ligação Química

Deixaremos de cabelos em pé os pudicos
Intelectuais da Sociologia e da Filosofia

E finalizaremos com a Arte concreta
Do nosso amor numa aula de Biologia.

Diplomados nós faremos de todas as horas
Da vida a felicidade de 20 minutos de recreio.